Cecrisa revê estratégia e mantém ritmo de embarques

 

4 de novembro de 2008 - Na Cecrisa, empresa do segmento cerâmico que deve faturar em torno de US$ 30 milhões com exportações neste ano, o ritmo dos embarques segue inalterado. Mas esse clima de normalidade só predomina porque a empresa reviu toda sua estratégia no mercado internacional. "Há dois anos, quando a crise da construção começou nos Estados Unidos, resolvemos pulverizar nossas vendas", diz Rogério Arns Sampaio, presidente da companhia. O mercado norte-americano, que respondia sozinho por 65% das vendas externas, atualmente representa pouco mais de 30%.

Em paralelo, a companhia agregou valor ao produto exportado. Em 2005, quando gerava US$ 50 milhões em divisas, seu produto tinha preço médio de US$ 3,20 o metro quadrado. Hoje, está na faixa dos US$ 9. "Com a queda do câmbio, ficou difícil ter lucro na exportação. Decidimos então cortar alguns clientes e trabalhar com produtos mais valorizados", afirma Sampaio. Como essa estratégia coincidiu com o bom momento da construção civil brasileira, as exportações caíram tremendamente e também sua participação nos negócios da Cecrisa: dos 35% de 2005 para os 11% atuais.

Na opinião do executivo, a Cecrisa sairá ilesa dessa crise internacional. "A valorização do dólar compensa de certa forma uma eventual queda."

O superintendente da Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), Antonio Carlos Kieling, também acha que o reposicionamento cambial favorece as exportações do setor, que devem empatar com os US$ 400 milhões do ano passado. Apesar disso, ele considera que é grave a crise de crédito. "Os exportadores não estão conseguindo contratar operações de ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio)." (S.S. - Gazeta Mercantil)